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Confie em seus “Insights”

Nosso cérebro adora encontrar sentido para o mundo que nos cerca. Aquelas ocasiões em que, de repente, algo parece fazer sentido, como se as informações “se encaixassem”, momento do tipo “eureca!” costumam trazer sensações agradáveis. Mas é possível confiar neles? Segundo um estudo publicado em Thinking and Reasoning(*), a resposta é sim.

Os resultados apoiam a sabedoria convencional de que esse tipo de percepção pode fornecer respostas corretas e até bastante precisas para problemas difíceis.

Em quatro experimentos coordenados pelos psicólogos Carola Salvi, da Universidade Northwest, e John Kounios, da Universidade Drexel, foram apresentados a universitários voluntários diversos problemas e, após um teste cronometrado, os participantes relatavam se tinham chegado a resposta analisando a questão passo a passo, de forma analítica, ou se a resposta tinha “saltado a mente”, num insiht.

Nos estudos, a soluções “eureca!” estavam certas com mais frequência. Por exemplo, num teste em que 38 participantes tiveram de pensa numa única palavra que pudesse formar uma frase com três palavras apresentadas antes, os insights estavam corretos em 94% das vezes, em comparação a 78% de acertos para soluções analíticas.

A diferença pode derivar do modo como o cérebro gera insights. Como muito desse processamento mental ocorre fora da consciência, é uma questão de tudo ou nada: uma resposta totalmente formada ou vem à mente ou não. “Essa hipótese é sustentada por EEGs e exames de ressonância magnética funcional que, em estudos anteriores, revelaram que pouco antes do insight ocorrer, o córtex occipital, que é responsável pelo processamento visual, ‘desliga’ momentaneamente para que as ideias possam emergir para a consciência”, explica Kounios. Resultado: é menos provável que insights estejam errados. Já o pensamento analítico é mais consciente, e mais sujeito a lapsos e raciocínios apressados.

Isso não significa, porém, que o insight sempre seja a melhor opção. Os pesquisadores usaram quebra-cabeças com respostas inequivocamente certas e erradas. E o mundo real não é tão óbvio. Vale considerar que as soluções não se apliquem a problemas muito complexos, que podem levar meses ou anos para serem resolvidos. De fato, questões difíceis muitas vezes exigem várias estratégias para se chegar a uma solução, diz Janet Metcalfe, pesquisadora da Universidade Columbia, que não participou do estudo. “Em muitos casos, pode não haver uma solução ideal para um problema”.

 

(*)Thinking and Reasoning

Insight solutions are correct more often than analytic solutions

Carola SalviEmanuela BricoloJohn KouniosEdward Bowden & Mark Beeman

Pages 443-460 | Received 16 Nov 2014, Accepted 08 Jan 2016, Published online: 05 Feb 2016

Sobre o autor

Fernando Spagnuolo

Fernando Spagnuolo

Possui graduação em Medicina pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo (1991), residência em Clínica Médica realizada na Santa Casa de São Paulo(1994), Especialista em Clínica Médica pela Sociedade Brasileira de Clínica Médica(1997), Mestrado em Medicina (Endocrinologia Clínica) pela Universidade Federal de São Paulo (1998). Atualmente é médico segundo assistente - Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, professor instrutor da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e professor da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Anhembi-Morumbi. Também atual como professor de medicina e responsável pela disciplina de endocrinologia da Universidade Anhembi-Morumbi (2009). Tem experiência na área de Clínica Médica, com ênfase em Endocrinologia, atuando principalmente no seguinte tema: diabetes, tireoide e obesidade. Pratica ciclismo. Curte esportes.

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