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Português

DESAFIOS DA LÍNGUA PORTUGUESA

Falar, Ler, Escrever!

 

São muitos os desafios que uma língua proporciona ao seu falante. Escutamos, com frequência, frases como esta:

“A Língua Portuguesa é a mais difícil, ou uma das mais difíceis de se falar, ler, entender ou escrever, tanto por estrangeiros, quanto pelos utentes nativos!”.

Será? Deixo a resposta a quem quiser debruçar-se sobre o assunto e aventurar-se numa infinita discussão na roda de amigos, ao fim do dia, em torno de um café ou de um copo de cerveja na happy hour. Será que os amigos ainda se reúnem para debater ideias ou jogar conversa fora, longe de seus sofisticados brinquedos de comunicação – os celulares (português do Brasil),  ou telemóveis (português de Portugal)?

Falar, Ler, Escrever são aspectos da língua que têm seu tempo de aprendizado e de domínio da utilização ao longo do processo de desenvolvimento. Chegamos ao mundo chorando, gritando, para afirmarmos nossa presença, mostrar que sabemos impor-nos quando for necessário. Depois balbuciamos, num treinamento árduo e constante, na busca das palavras que, em breve, conseguiremos pronunciar. Nesta tarefa contamos com o auxílio de pais, parentes, cuidadores, família e amigos que, extasiados, aguardam o milagre da primeira palavra na expectativa de que seu nome seja o primeiro a ser pronunciado e, assim, essa fala se transformará numa espécie de troféu: “foi o meu nome que ele/ela, falou primeiro!”

Aos poucos o vocabulário da criança vai-se construindo, ampliando, enriquecendo! Se tivermos a sorte de contar com cuidadores letrados e com bom domínio da norma gramatical, provavelmente, teremos grande vantagem no processo de alfabetização e progresso escolar. Mesmo sem o conhecimento da nomenclatura correta, seremos capazes de construir boas frases, de termos um melhor desempenho na aprendizagem da leitura e da escrita por possuirmos, mesmo sem o sabermos, uma gramática normativa internalizada.

Ao entrarmos na escola, abrem-se as portas do reino da leitura e da escrita formal, pois, bem antes, já tínhamos uma leitura sensorial de mundo, alicerçada na identificação de imagens, símbolos, logotipos e marcas associadas e armazenadas ao longo da infância. Os meios de comunicação, os muros das cidades, os cartazes, que constantemente nos eram mostrados por pais, irmãos ou amigos, foram compondo nosso repertório de imagens, letras e números que a escola, aos poucos, se encarregará de nomear e colocar no lugar certo. Com esforço, ingente e urgente, a Escola nos conduz e força à leitura e à escrita.

Não basta falar, é preciso ler, é preciso compreender, é preciso escrever!

Para ler, passa-se pelo processo de alfabetização, semelhante ao de aprender a nadar e manter-se na raia certa. A criança esbraceja à esquerda, à direita, e tenta acabar a competição no tempo certo ou um pouco antes. Cada dia um novo esforço, uma nova meta a alcançar. O método varia, o resultado tem de ser eficaz. Se as metas não forem alcançadas inicia-se o doloroso processo da busca pelo diagnóstico da síndrome, do sintoma, do remédio, do rótulo…

Escrever exige coordenação motora fina apurada desenvolvida na tentativa de agarrar os móbiles do berço, no jogo de futebol ou de botão, no pular da corda ou nas muitas páginas de desenho e de risca-rabisca para que, na hora certa, a mão encontre o traço firme e bonito da letra (da palavra) que baila entre o cérebro e a mão enquanto se pergunta como se lê? Como se fala? Como se escreve?

O Objetivo desta coluna é refletir sobre a habilidade e competência da escrita e seus desafios. Que tal o próximo desafio: Sou MAU ou apenas faço MAL?

Sobre o autor

Celeste Baptista

Celeste Baptista

Professora de Português e de Francês, formada em Filologia Românica pela Universidade de Lisboa (UL). Pedagoga com habilitação em Administração Escolar, Supervisão de Ensino e Orientação Educacional. Psicóloga (com Licenciatura e Bacharelado). Mestre em Linguística Letras e Artes pela Universidade Guarulhos (UnG). Especialização em Psicologia Jurídica (UniSãoPaulo). Autora do livro Chuva Quente (Poesia). Palestras sobre Literatura, Ética e temas da Psicologia. Nas horas vagas leio, escrevo, organizo Rodas de Leitura e Recitais, converso com amigos, bordo e faço crochê. Criei um blog: Como Árvores Antigas https://cilebap.blogspot.com.br/, onde escrevo sobre diversos assuntos. Podem achar-me no Facebook, como Celeste Baptista, no Linkedin como Celeste Duarte Baptista e no Instagran: https://www.instagram.com/baptistaceleste/

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