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Português

Desafios da Língua

“A minha Pátria é a Língua Portuguesa”

Fernando Pessoa (1888-1935)

 

Há dias, foi-me lançado o desafio de fazer parte de um grupo de amigos que “sabem tudo de…”, o que me obrigou a refletir sobre o quanto sabemos pouco e precisamos de estar despertos para o aprendizado constante. Vivemos a “Era da Especialização” e acreditamos ser detentores de todo o conhecimento, sobre este ou aquele assunto. Por vezes, esquecemos que o conhecimento é dinâmico e que o que sabíamos ontem, já sofreu alterações, a ponto de nos obrigar a rever nossos conceitos.

O que pretendemos, nesta série de artigos, é alertar nossos leitores para aqueles erros de português mais frequentes, presentes em situações cotidianas: nos muros da cidade, em cartazes, jornais, reportagens dos meios de comunicação, trabalhos acadêmicos.

Certo dia, passando em frente a um restaurante, li na fachada a seguinte placa: “Coma a vontade”, não pude deixar de pensar que, se entrasse lá continuaria com fome, pois teria de comer a minha própria vontade ou a de alguém que estivesse por perto. Se, a frase da placa fosse: “coma à vontade”, aí sim, eu poderia comer o quanto a minha vontade permitisse. Apenas um acento grave (`), marcando a existência de contração de duas vogais iguais (Crase), e o sentido da frase se transforma completamente.

E o que é a crase?

— É a fusão de um a (preposição que acompanha, normalmente, um verbo) com outro a ou as (artigo definido feminino) ou pronome. Quando a preposição e o artigo (às vezes um pronome) se encontram, acontece a crase. Simples, assim!

a  +  a  =  à

Vejamos a frase:

— Ontem fui a + a feira comprar fruta e legumes.

O primeiro a liga-se ao verbo ir (fui a), sendo, portanto, uma preposição. Já o segundo, em a feira é um artigo, que determina o substantivo feminino feira. O encontro dos dois resulta em um único à, com acento grave, resultando na frase:

Ontem fui à feira comprar fruta e legumes.

Vamos a um outro exemplo. Veja a foto que ilustra o artigo e começa “À partir de…” nada justifica o emprego da crase.

No final, o aviso é assinado pela administração do prédio. Onde se lê: “À Administração “ deveria ler-se: “A Administração”, como se poderia ler “O Administrador”. Neste caso o A ou O são simples artigos que acompanham um substantivo feminino ou masculino. Portanto, Nada de crase, minha gente!

Este assunto, embora simples, ainda provoca muitas dúvidas. Sendo assim, voltaremos com novos exemplos colhidos por aí.

Você, Leitor, pode colaborar conosco enviando suas dúvidas e comentários. Até breve!

Sobre o autor

Celeste Baptista

Celeste Baptista

Professora de Português e de Francês, formada em Filologia Românica pela Universidade de Lisboa (UL). Pedagoga com habilitação em Administração Escolar, Supervisão de Ensino e Orientação Educacional. Psicóloga (com Licenciatura e Bacharelado). Mestre em Linguística Letras e Artes pela Universidade Guarulhos (UnG). Especialização em Psicologia Jurídica (UniSãoPaulo). Autora do livro Chuva Quente (Poesia). Palestras sobre Literatura, Ética e temas da Psicologia. Nas horas vagas leio, escrevo, organizo Rodas de Leitura e Recitais, converso com amigos, bordo e faço crochê. Criei um blog: Como Árvores Antigas https://cilebap.blogspot.com.br/, onde escrevo sobre diversos assuntos. Podem achar-me no Facebook, como Celeste Baptista, no Linkedin como Celeste Duarte Baptista e no Instagran: https://www.instagram.com/baptistaceleste/

1 Comentário

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