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Química

Química em todos os lugares

Quantas vezes você não terá ouvido a seguinte exclamação:

“Pode comprar tranquilo, esse produto não tem química!”

Será verdade? A Química está presente na nossa vida diária? Qual a percepção geral das pessoas sobre a Química?

Primeiramente, todas as substâncias são compostas por átomos. Dependendo da substância, seus átomos estão ligados formando moléculas, é o caso da água (H2O). Em outros casos não há moléculas individuais, mas íons de carga oposta que se atraem, caso do sal de cozinha (NaCl). As propriedades das substâncias e o modo como interagem com outras são estudados pela Química. Assim sendo, pode-se dizer que a Química está presente em tudo o que é material!

Certamente, para o ser humano, o bem mais precioso é a própria vida.

Na base do fenômeno chamado vida está a Química!

Todo o processo de concepção e desenvolvimento dos organismos vivos, muitas vezes visto somente sob o ponto de vista biológico, é na realidade uma complexa rede de reações químicas que acontecem para estruturar um organismo vivo e, depois, mantê-lo “funcionando”.

Trata-se da Bioquímica, campo de estudo muito amplo, que abrange as reações químicas que acontecem em sistemas biológicos. Sem ela, a vida, em seu aspecto material, não existiria!

Um exemplo bastante conhecido de aplicação de conhecimentos bioquímicos é o famoso teste de DNA para determinação de paternidade.

A Química além de estar no cerne do fenômeno conhecido como vida, está também presente, de muitas formas, na nossa vida diária.

É possível viver sem alimentos e sem água?

Claro que não, o controle de qualidade de alimentos, bem como os testes para determinação de potabilidade da água, envolvem diversos conhecimentos de Química.

Cabe destacar a importância do tratamento de água para abastecimento, significativo fator para a qualidade de vida que todos desejam.

É difícil imaginar um aspecto da vida contemporânea, no qual a Química não contribua de alguma forma:

  • Fármacos, cuja síntese só é possível graças à Química;
  • Combustíveis para uso veicular, provenientes do petróleo, produzidos em refinarias;
  • Tintas para as mais diversas utilizações: construção civil, automotivas;
  • Plásticos com inumeráveis aplicações, por exemplo em embalagens, garrafas PET, cuja sigla significa polietileno tereftalato (polímero usado na sua confecção);
  • Fibras sintéticas usadas em tecidos;
  • Produtos de higiene pessoal: shampoos, desodorantes, pastas dentais, etc;
  • Produtos domissanitários, aqueles usados para higienização e desinfecção domiciliar;
  • Papel, feito a partir da celulose, obtida da madeira.

Esses são apenas alguns exemplos, de uma lista extensa, que evidenciam o papel central da Química e sua crescente contribuição para a melhoria da qualidade de vida da sociedade em geral.

Para saber um pouco mais veja o vídeo 

Diante de tantos aspectos positivos, é possível que a percepção geral das pessoas sobre a Química seja negativa? Qual seria a causa de tão grande equívoco?

A percepção geral da Química não é muito positiva porque, erroneamente, associa-se a ela tudo o que é artificial e prejudicial à saúde.

É importante esclarecer que nem sempre substâncias presentes em fontes naturais são benéficas: o veneno de uma cobra pode matar, plantas como comigo-ninguém-pode, copo-de-leite podem provocar intoxicações.

Nem sempre substâncias artificiais são maléficas: muitos fármacos são estruturas sintetizadas em laboratório, não encontrados na natureza, embora estudos de princípios ativos naturais sejam muito importantes no desenvolvimento de novos medicamentos.

Além dessa ideia equivocada de que tudo o que é natural é saudável, costuma-se associar à Química tudo o que é tóxico e faz mal.

Já dizia Paracelso (1493-1541) que a dose determina se uma substância será um remédio ou um veneno.

Assim sendo, culpar os compostos agroquímicos pela contaminação das lavouras e das pessoas que aplicam os defensivos agrícolas, enquanto essas mesmas pessoas, muitas vezes, não seguem as doses recomendadas nem as condições de aplicação é algo bastante injusto.

Veja que não estou chamando de agrotóxico. Um agroquímico mal aplicado torna-se um agrotóxico!

Claro que seria muito melhor não usar nenhum defensivo, mas nas condições atuais, o controle biológico de pragas ainda não consegue resolver todos os problemas das grandes plantações.

Portanto os agroquímicos contribuem para ampliar as colheitas, em um mundo com população crescente, que necessita cada vez mais de alimentos.

O conhecimento químico, como todo conhecimento científico, é neutro, não é bom nem mau. A maneira de usar determinará o resultado!

Cabe a seres humanos responsáveis usar conscientemente esses conhecimentos, de uma maneira sustentável e ambientalmente segura, para que eles tragam bem-estar à população e não agravem os problemas que a humanidade enfrenta na atualidade.

Sobre o autor

Francisco Comninos

Francisco Comninos

Possui bacharelado em química pela Universidade de São Paulo (1989) e doutorado em química orgânica pela Universidade de São Paulo (1997). Tem experiência principalmente nos seguintes temas: química orgânica, eletrossíntese orgânica, compostos aromáticos metoxilados. É membro da Comissão de Ensino Superior do Conselho Regional de Química - IV Região. Atua no ensino superior desde o ano 2000.

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