Início » Irradiadores e Aceleradores
Química

Irradiadores e Aceleradores

Sempre que pensamos em energia nuclear, imediatamente vem à mente a imagem das bombas nucleares lançadas sobre Hiroshima e Nagasaki, no final da Segunda Guerra Mundial. Lembramos da explosão do reator da usina nuclear de Chernobyl, na Ucrânia, em 1986.

É importante mencionar o trágico acidente do Césio-137, acontecido em Goiânia em setembro de 1987, o pior acidente radiológico ocorrido no Brasil, que está completando 30 anos.

A despeito desses eventos, consequência da aplicação indevida da energia nuclear e da negligência com relação às normas de segurança, a mesma tem muita utilidade na vida diária da sociedade moderna.

Você sabia que a energia nuclear está envolvida na preservação do nosso patrimônio cultural?

Quando obras de arte são afetadas por insetos ou fungos, é possível fazer a desinfestação e desinfecção por radiação gama.

A indústria também faz uso da radiação para o controle microbiológico dos materiais irradiados, diminuindo a presença de organismos vivos, podendo até elimina-los totalmente.

Irradiadores com fontes de Cobalto-60 podem ser usados para esse fim, devido à sua capacidade de penetração e por não deixar resíduos nos materiais tratados.

Veja alguns exemplos de aplicação:

-Esterilização de produtos para uso médico: luvas, seringas e gaze;

-Esterilização de tecidos biológicos para implantes cirúrgicos;

-Aumento do tempo de armazenamento de sementes, vegetais e frutas.

O poder de penetração da radiação torna possível atingir o miolo de uma semente sem perfurar sua casca.

O IPEN (Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares), localizado em São Paulo, na Cidade Universitária, dispõe de um irradiador multipropósito (tipo compacto) com fontes de Cobalto-60 projetado e construído pelo Centro de Tecnologia das Radiações do IPEN, com tecnologia inteiramente nacional e inédita em muitos dos seus aspectos, financiado pela FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo).

Já os aceleradores industriais de elétrons apresentam baixa penetração e podem, entre outras aplicações, ser usados para tratamento de esgoto industrial.

O feixe de elétrons de alta energia produz radiação ionizante, que em contato com a água gera radicais livres H e OH. Essas espécies são muito reativas e degradam os compostos orgânicos industriais que estão entre os poluentes presentes nos efluentes.

Além disso, é possível acabar com bactérias e vírus que eventualmente estejam nesses efluentes industriais.

Todos esses exemplos permitem ter uma visão completamente diferente e positiva do papel da energia nuclear na atualidade.

Lembre-se sempre de que quem busca a verdade, independentemente do seu campo de atuação, precisa despir-se de preconceitos e ter a mente aberta para avaliar com serenidade e objetividade os fatos concretos que a realidade nos apresenta diariamente.

Você pode saber um pouco mais sobre os trabalhos do IPEN no vídeo:

Sobre o autor

Francisco Comninos

Francisco Comninos

Possui bacharelado em química pela Universidade de São Paulo (1989) e doutorado em química orgânica pela Universidade de São Paulo (1997). Tem experiência principalmente nos seguintes temas: química orgânica, eletrossíntese orgânica, compostos aromáticos metoxilados. É membro da Comissão de Ensino Superior do Conselho Regional de Química - IV Região. Atua no ensino superior desde o ano 2000.

Comentários

Clique aqui para adicionar um comentário

  • Parabéns Francisco por abordar um tema tão atual e instigante. Curiosidade de leigo: está longe a utilização da energia nuclear nos transportes, naves espaciais? Como é utilizada nos submarinos?
    Muito obrigado.

    • Prezado Francisco, agradeço seus comentários! A energia nuclear também é utilizada nos transportes. Já houve até um cargueiro alemão com propulsão nuclear, o Otto Hahn, que esteve na ativa no período 1968-1979, o problema era o custo da manutenção. Cabe lembrar- sempre- que a destinação final dos resíduos de instalações nucleares continua sendo um problema de difícil equacionamento. Atualmente, há alguns navios quebra-gelo com propulsão nuclear, sem falar no uso militar em porta-aviões e submarinos. O princípio de funcionamento envolve a geração de calor pelo reator nuclear. Esse calor aquece a água, transformando-a em vapor, que aciona uma turbina, gerando energia para mover o submarino. Estudos de tecnologias de propulsão termal nuclear estão em curso para a aplicação espacial.

%d blogueiros gostam disto: