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Neuro/Comport

A Consciência e a evolução do Ser Humano

Parte I

A partir dos sombrios anos da Idade Média a evolução do cérebro humano, de sua memória e inteligência, em todas as áreas de conhecimento, uma enxurrada de descobertas foram formando novos conceitos a respeito das grandes questões que nos envolvem desde o inicio da formação de nossa consciência. A invenção da prensa de tipos móveis por Laden Gutenberg(1439),  contribuiu para a disseminação das ideias recém descobertas e o conhecimento acumulado até aquele o momento, foi sendo disseminado de uma forma mais ordeira e lógica. Os pesquisadores, motivados pela curiosidade em responder as questões importantes e também as necessidades de resolver problemas básicos de sobrevivência frente à Natureza, por vezes agressiva, num processo continuo e crescente, resultou em um tipo de euforia contagiosa e o Ser Humano parecia ser capaz de responder tudo, resolver todos os problemas  e até mesmo dominar as forças da Natureza, a partir dos anos 1800.

Assim, por exemplo, com o desenvolvimento científico na área da saúde promoveram uma progressão geométrica no crescimento populacional, porém, com sérios desafios que até o momento não estão solucionados, como por exemplo, na área da produção e distribuição homogênea do alimento, e assim, gerando novos problemas, atualmente de maior magnitude.

O pensamento e conhecimento Humanos no século XIX produziria uma euforia de uma Terra bem conhecida, com todas as suas potencialidades, substratos e recursos inesgotáveis disponíveis cada vez mais ao conforto, sobrevivência por mais tempo do Ser Humano. Na área do conhecimento do Universo, ideias antigas, baseadas em conceitos religiosos foram sendo substituídas por realidades temporárias, contribuindo em muito para a formação de falsas ideias de uma Terra e Universo eternos. A Humanidade existiria para sempre, iluminados por um Sol também inesgotável. Assim, o cientificismo de pensamentos inequívocos da época geraram certezas de uma Terra sólida, recursos energéticos inesgotáveis, territórios a de serem colonizados onde as cidades iriam crescer sem preocupações com seus limites de espaço.

O nível de entendimento e a percepção dessas mudanças no mundo variam de acordo com o nível de escolaridade, educação e cultura de cada povo, portanto o impacto dessas evoluções sobre o sistema nervoso supõe-se ser também de diferentes intensidades.   

Uma verdadeira onda de prosperidade invadiu o século XIX promovendo mais segurança por entre as famílias a despeito das diferenças de classes sociais, de culturamento e educação. Os sentimentos de segurança no porvir influencia por demais as atitudes presentes e em todas as direções, por exemplo, no planejamento familiar, nos investimentos em negócios e também no controle das forças da Natureza. Naquela época pouco foi desenvolvido no sentido do controle da natalidade e com todos os fatores favoráveis, originaram-se famílias com numerosos filhos, e que, o número deles refletia o nível de prosperidade de cada família. Nas camadas menos favorecidas o elevado número de filhos fora determinado pelo baixo nível cultural e de elevada ignorância. Sem o racionalismo do conhecimento, a religião supria a Fé num futuro melhor, porém desconhecido e inseguro na própria realidade. Dessarte os elevados índices de morte infantil ainda presentes até os primórdios do século XX, a população em geral acelerou geometricamente. À medida que o século avançava, a população crescia tanto em alguns locais que medidas de controle da natalidade foram adotadas. O outro lado do desenvolvimento humano que impacta as observações históricas e contribui imensamente para explicar os comportamentos sociais observados nos últimos tempos, tem ocorrido na área da neurobiologia, ciência nova que tenta explicar como funciona a consciência humana, como são gerados os sentimentos associados às ações e  que geram os comportamentos observados mais recentemente, bem como também os seus próprios desvios. A Neurobiologia atual nos mostra evidências de que  os sentimentos são determinados por forças de liberação de substancias químicas denominadas neurotransmissores onde associadas às áreas das memórias ou conscientizações destes, provocam as sensações conhecidas pelo Homem, há muito tempo, como, raiva, prazer, amor, paixão, ódio, vingança, compaixão, nojo, enfim, todas as emoções características do Ser Humano. Assim para cada atitude, acontecimento Humano, cabe a liberação de determinada(s) substancia(s) nos centros nervosos associados às memórias, promovendo as sensações que traduzimos como emoções e sentimentos correspondentes e associados. Experimentos com animais comprovam que determinadas atitudes, totalmente presentes em determinada espécie, são modificadas pelas concentrações dessas substancias no sangue circulante. Um exemplo bem prático é a aversão notória pelo cheiro e visão que desenvolvemos pelas fezes. Um cão pode se deliciar, nós seres humanos desprezamos. Aos poucos os neurotransmissores estão sendo isolados e determinadas suas respectivas funções junto às atitudes e memórias do Sistema Nervoso Central. A introdução deles no Ser Humano, determinaram vantagens que possivelmente garantiram a sobrevivência da espécie, e, certamente, sua evolução.

Outra observação importante, desta vez realizada pelos biólogos, é que em determinadas espécies de animais, o número de descendentes é regulado pelo meio ambiente, assim, em épocas onde a Natureza provêm menos alimentos, ou água, ou ainda a variação nas temperaturas, ocorre a diminuição no número de filhotes e/ou oviposição, segundo a variação desse meio ambiente natural. Também são observadas espécies que alteram as proporções dos sexos segundo as alterações ambientais. São inúmeras as descrições de alterações internas, de comportamento, de reprodução nos animais, segundo as alterações ambientais refletindo na seguridade da manutenção da espécie.

 

Fim da primeira parte

 

(continua na próxima edição)

Sobre o autor

Francisco Ribeiro de Moraes

Francisco Ribeiro de Moraes

biomédico pela Universidade de Mogi das Cruzes,1978, com especializações em Patologia Clínica, Patologia Humana e Citopatologia. Mestre em Ciências pela USP com um estudo sobre câncer de mama. Atuou como professor, a partir de 1980, nas áreas de Patologia, Fisiologia, Hematologia Clínica, Patologia Clínica e Citopatologia por diversas Universidades e Faculdades. Atualmente é professor pela FACISB de Barretos nas disciplinas básicas integradas em morfofuncional. http://lattes.cnpq.br/9046680939777775

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