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“Vós sois o sal da Terra”

Em São Matheus, 5:13, Jesus afirma que somos o sal da terra, e sem querer parafrasear o próprio Jesus e já o fazendo, em verdade em verdade, vos digo…Ele tem toda a razão!!

Senão vejamos: a célula de todos os viventes, incluso o homem, desenvolveu-se nos oceanos primitivos, segundo as teorias vigentes e a partir desta verdadeira salmoura aquosa, tudo começou.

Os sais de que falamos são constituídos pelos elementos químicos, Na+, K+, Cl, Ca2+, principalmente, e a nossa célula utilizou deles de forma magistral. Em primeiro lugar seria necessário isolamento parcial do lado externo, então a membrana celular foi desenvolvida com propriedades predominantemente hidrofóbicas a fim de selecionar as substancias a serem impedidas de entrar. Em segundo lugar nessa membrana seria necessário a implementação de portas específicas para o transporte de itens tanto de fora para dentro como vice-versa. Em terceiro lugar a célula desenvolveu um mecanismo básico energético de expulsar o excesso de um dos sais, o mais importante de todos, pois o Na+ ao se deslocar em  meio aquoso, carrega  aderida em sua constituição atômica,  uma molécula de H2O. Assim a célula ao expulsar o excesso de Na+ para fora, também expulsa o excesso de água. Ao manter a concentração de Na+ constante, ao mesmo tempo mantêm a quantidade de água.

Simplesmente genial, matou dois problemas com uma só solução….piada pronta…..

Tal adaptação é conhecida por Bomba de Na+/K+ e necessita de energia(ATP) para funcionar. Isto é comprovado, pois quando a célula sofre déficit de produção de ATP, ela degenera e morre afogada por excesso de água.  Não bastasse isso, o toque de genialidade neste processo é que o K+ que é trocado pelo Na+, não sendo uma troca 1 X 1, mas 3 átomos de Na+ que saem e 2 átomos de K+  que entram, e tal  íon não tem a propriedade química de carregar moléculas de água consigo.

O que resultará disto simplesmente resume todas as atividades da vida baseada em células, como exemplificaremos. Quando a célula expulsa íons de carga positiva trocando por outro de carga igual, porém em quantidades diferentes, cria uma diferença substancial nas cargas elétricas no interior da célula em relação ao meio exterior, resultando em muito Na+ na parte de fora da membrana e uma proporção muito reduzida em seu interior. Desta forma internamente o predomínio é negativo, assim, produzindo uma diferença elétrica entre os dois meios, além de que o Na+ exerce uma força constante do meio exterior para o interior, sustentada energeticamente pela bomba. Pronto, a célula criou uma energia ou um estado potencial energético em que ela com pequenas adaptações exercerá todas as funções nos tecidos e corpos dos multicelulares. Para tanto bastam pequenas adaptações pontuais nesse jogo de sais. Por exemplo se a célula colocar uma porta que se abre rapidamente ao Na+, este irá entrar repentinamente, inicialmente empatando o número de cargas e se permanecer aberto haverá a inversão de cargas, com o interior tornando-se positivo e o exterior negativo. Eureka!!!!!  Em uma célula longa como um fio de barbante e colocando estas portas que se abrem à frente e se fecham ao Na+ atrás, bingo!!!!, está criado um neurônio, literalmente movido a água e sal. Alguns chamam este entra e sai de sal, de pulso elétrico, outros de potencial de ação, mas enfim ele tem inicio e caminha ao longo da célula até o final e se você colocar um músculo na extremidade ele irá contrair, mas neste caso pela liberação de outro íon salgado, o Ca2+. Ou se espetar o dedo da mão num alfinete, a célula levará o sinal até o cérebro e a dor será sentida, isto demora milissegundos, em uma célula cuja velocidade de sinal é de 100m/s. Uau!!!! É muito veloz.

Assim, todas as sensações, como gosto, visão, audição, fome e etc.

O cérebro na verdade é um complexo arranjo de células nervosas que se entrecruzam levando e trazendo os mesmos sinais, gerando absolutamente tudo o que somos, realizamos ou sentimos. Até os sentimentos mais profundos que nos diferenciam dos animais, como amor ou ódio, são gerados por estas simples trocas de sais entre os meios exterior interior das células. A genialidade está nas coisas mais simples.  E concluindo por outro parafraseado: Penso, logo existo, poderia ser adaptado por penso, logo troco sais….e assim, Jesus tem toda a razão: Vós sois o sal da terra…para ter consciência disso é preciso trocar sais.

Sobre o autor

Francisco Ribeiro de Moraes

Francisco Ribeiro de Moraes

biomédico pela Universidade de Mogi das Cruzes,1978, com especializações em Patologia Clínica, Patologia Humana e Citopatologia. Mestre em Ciências pela USP com um estudo sobre câncer de mama. Atuou como professor, a partir de 1980, nas áreas de Patologia, Fisiologia, Hematologia Clínica, Patologia Clínica e Citopatologia por diversas Universidades e Faculdades. Atualmente é professor pela FACISB de Barretos nas disciplinas básicas integradas em morfofuncional. http://lattes.cnpq.br/9046680939777775

1 Comentário

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  • Olá Francisco

    Gostei do artigo e não pude deixar de me indagar se não será essa troca de sais que nos ajuda a temperar nossos atos(!?).Um abraço.

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