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Sobre o Ato de Escrever (2)

A Organização do Pensamento

“O milagre da vida é escrever a sua história tendo a certeza que você

deixou sua biografia gravada no coração de alguém” (Miriam Santos)

 

Olá, Leitor Amigo!

Como deve estar lembrado, o assunto de hoje é a continuação do artigo anterior. Não o leu ainda? Tudo bem, mas seria interessante voltar um pouco e lê-lo, uma vez que ele é introdutório ao nosso assunto de hoje. Não precisa ser agora. Pode terminar de ler este e depois, antes de sair do site, ler o anterior (os anteriores!).

Para falarmos sobre como organizar as ideias, precisamos de ter em mente que cada texto tem suas características, de acordo com a finalidade e intencionalidade. Escrevemos para quem? Para dizer o quê? Como faremos isso? Respondidas estas perguntas estamos prontos a começar, pois sabemos exatamente (ou quase) o que queremos dizer, a quem e como o faremos.

Quando escutamos alguém falar devagar ou depressa demais, quando um orador usa um discurso cheio de floreados e palavras muito difíceis ou, pelo menos, desconhecidas para nós, a tendência é virarmos as costas e sairmos do local o mais depressa possível ou distraímo-nos com outra coisa para não ficarmos irritados, frustrados ou inseguros diante da incapacidade de acompanhar a conversa. O mesmo vale para os textos escritos. Cada texto difere do outro, uma vez que a escrita depende do repertório de cada um, isto é, da competência linguística de quem escreve ou fala. Várias pessoas podem falar sobre um mesmo assunto, mas cada uma delas o fará de uma forma diferente, cada uma tem o que chamamos de estilo próprio.

Imaginemos a seguinte situação: você se encontra diante de uma prova de vestibular ou de concurso com um tema definido e que precisa de desenvolver. Por onde começar? Aí começa o drama. Até que ponto você conhece e domina o assunto? E se o assunto não lhe for familiar? A resposta a cada um destas questões vai determinar seus sentimentos diante daquela folha de papel em branco pedindo para ser preenchida e o grau de ansiedade e angústia que será colocado nela. O assunto é familiar, você tem pleno domínio, siga em frente e comece logo. Está cheio de dúvidas? Respire fundo, pegue a folha de rascunho e comece a anotar tudo o que lhe vier à cabeça sobre aquele tema. Não se preocupe com a ordem nem com a lógica (ou falta dela). Anote as ideias como elas chegam até você. Apenas anote. É como elaborar uma lista de compras. Releia a proposta da prova e comece a desenvolver o assunto, partindo das anotações que você fez anteriormente. Quando tiver terminado, talvez você perceba que se esqueceu de fazer uma Introdução, uma Conclusão… calma, respire fundo novamente, releia o que escreveu, faça os ajustes que lhe parecerem necessários e, então, comece a Introdução, um breve parágrafo, em que você diz sobre o que vai falar e como. Você verá que tudo se encaixa perfeitamente no que você vai dizer a seguir. Afinal você já disse, você já expôs seu conhecimento, seus pensamentos sobre o assunto, já desenvolveu o tema, e tem o material necessário para poder concluir. A função da Introdução é anunciar o que vai ser dito, como vai ser dito. A  Conclusão terá de dizer se chegou, ou não, à proposta inicial e como, igualmente de forma reduzida. No miolo de tudo, isto é, no texto em que você colocou o que sabia sobre o tema, foi feito o Desenvolvimento. Está pronto o texto, com começo, meio e fim, embora você tenha começado pelo meio!

Vou agora detalhar algumas das etapas anteriores para que não fiquem dúvidas quanto ao modo como elas se foram arrumando (organizando) apara obter o efeito de uma boa escrita, com coesão e coerência, elementos fundamentais ao processo da produção textual. Um texto terá coesão, quando as frases estiverem de acordo com as normas e regras gramaticais, portanto, sem erros de ortografia ou de sintaxe. Ele terá coerência, se o pensamento estiver organizado de acordo com a lógica da  significação e não com a lógica dos elementos estruturais (para mais esclarecimento sugiro a consulta de livros sobre o tema ou de sites como: http://www.editoracontexto.com.br/blog/coesao-e-coerencia-textual-o-que-e-isso/ )[1].

Quanto maior for a dificuldade para redigir textos, mais importância e atenção precisam de ser dadas à elaboração da lista de que falamos anteriormente. Quando se faz uma lista, as ideias fluem, quase sempre, de forma desorganizada. A importância de anotá-las é facilitar a sua organização e não permitir que elas se percam (ideias nos fogem com frequência)! Você talvez já se tenha deparado com situações em que escreveu um texto e, ao dá-lo por terminado, percebeu que algumas coisas deveriam ser ditas antes de outras, ou que ainda queria colocar mais alguma coisa, mas como o texto estava encerrado, passado a limpo, acaba deixando para lá, correndo o risco de não dizer algo de grande importância. Ao fazer a lista, você tem um esboço das coisas a serem ditas. Antes de começar a redação do texto você pode numerar cada ideia segundo a ordem em que deve aparecer no texto.

Ao longo da minha prática pedagógica pude perceber que o que gera muita ansiedade e angústia é a crença, que as pessoas têm, de que o texto sai pronto e ordenado de imediato. Ledo engano! Você não imagina quantas vezes eu leio e releio estes artigos, para ajustá-los, o mais possível, às necessidades do meu leitor e para que eles sejam publicados sem erros de qualquer natureza e, mesmo assim, às vezes a coisa sai do controle e os erros acontecem. Não tenha medo de refazer. Quanto mais você treinar, com o tempo, a escrita flui sem que seja necessário refazer tantas vezes.

Para facilitar a assimilação do que foi dito até aqui, vamos ao passo a passo:

  1. Leia com atenção a proposta do tema (assunto) e pense no que você conhece sobre ele;
  2. faça uma lista do que lhe vem à mente sobre o assunto;
  3. releia sua lista, risque o que você acha que, de forma alguma, lhe será útil;
  4. numere as ideias na ordem em que você acredita que devem ser desenvolvidas;
  5. desenvolva o assunto (só comece pela Introdução se você estiver muito seguro de que domina o tema);
  6. releia o que escreveu, faça as correções e ajustes necessários;
  7. escreva a Introdução e a Conclusão;
  8. passe a limpo, juntando as partes;
  9. leia mais uma vez para limpar o texto de palavras desnecessárias, repetições indesejáveis ou erros de escrita provocados por distrações.

 

Seu texto está pronto! Deixe que ele siga o seu destino! Você fez o melhor que podia naquele momento.

Bom, e se você não souber nada sobre o assunto? Há dois caminhos as seguir: entregar em branco, ou produzir um texto correto (coeso e coerente), ainda que fantasioso, sobre o que você acredita que possa aproximar-se do tema. Se der sorte de a banca examinadora resolver considerar que, apesar de não ter domínio do assunto, você escreve bem e atribuir-lhe uns pontinhos… você já lucrou!

A minha sugestão de hoje é que comece a praticar imediatamente! Escolha um tema da atualidade, como “enchentes”, “violência”, “educação”, “escassez de água”, “bullying” e tantos outros (bem abrangentes) e escreva sobre eles. Se tem pouca, ou nenhuma, informação leia, pesquise, informe-se, siga os passos propostos e vá em frente! Peça aos amigos, aos professores (se estiver ainda frequentando um curso) uma ajuda, uma leitura do seu texto e encare os comentários como sugestões para melhorar.

Nos próximos artigos da série falaremos sobre os diversos tipos de textos, suas características e formas de obter uma escrita limpa, correta e agradável de ser lida!

Não se esqueça de deixar comentários, sugestões, opiniões! Até breve!

[1] Outras fontes: http://www.infoescola.com/redacao/coesao-e-coerencia-textual/
http://www.mundovestibular.com.br/articles/2586/1/COESAO-E-COERENCIA-TEXTUAL/Paacutegina1.html

 

Sobre o autor

Celeste Baptista

Celeste Baptista

Professora de Português e de Francês, formada em Filologia Românica pela Universidade de Lisboa (UL). Pedagoga com habilitação em Administração Escolar, Supervisão de Ensino e Orientação Educacional. Psicóloga (com Licenciatura e Bacharelado). Mestre em Linguística Letras e Artes pela Universidade Guarulhos (UnG). Especialização em Psicologia Jurídica (UniSãoPaulo). Autora do livro Chuva Quente (Poesia). Palestras sobre Literatura, Ética e temas da Psicologia. Nas horas vagas leio, escrevo, organizo Rodas de Leitura e Recitais, converso com amigos, bordo e faço crochê. Criei um blog: Como Árvores Antigas https://cilebap.blogspot.com.br/, onde escrevo sobre diversos assuntos. Podem achar-me no Facebook, como Celeste Baptista, no Linkedin como Celeste Duarte Baptista e no Instagran: https://www.instagram.com/baptistaceleste/

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