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Saúde

O diabetes nosso de cada dia

— É senhor Manoel, o senhor está com 56 anos, e em bom estado geral de saúde, mas após todos os exames clínicos, físicos e complementares, tenho uma notícia não muito boa para te dar… — O senhor está diabético…

— O quê doutor!!??  — Poxa… Caramba, está confirmado então!?

— Sim, infelizmente, o seu perfil é completo, está acima do peso, tem avô diabético, os resultados dos exames, não há dúvida…

— Tenho amigos com a doença, eles dizem do tipo 2 e tem uma vida muito chata, reclamam da picada da insulina, não podem comer doces, evitar comidas gordurosas, regime forte, alguns até falam que não podem beber nada alcoólico… uma tristeza…. E para mim também será assim?…tenho até medo de injeção!!!!!

— Calma, calma seu Manoel!!, cada caso é um caso e existem vários tipos e níveis de diabetes, vou te explicar direitinho, enquadrar o seu caso e os testes que faremos juntos….

— O seu caso é do tipo 2 onde o seu pâncreas produz insulina, até mais que o do que o necessário, mas algumas partes de seu corpo não conseguem utilizá-la de acordo, então quando o açúcar sobe no sangue, ele acaba sobrando porque boa parte não consegue absorver.

— Ahh então se tem insulina sobrando eu não vou precisar tomar picada…

— Isso mesmo seu Manoel, por enquanto não precisará.

— Quer dizer que mais tarde vou precisar…? Não entendi…

— Como eu disse, faremos vários testes e após os resultados, eu te darei um esquema de medicamentos orais, o senhor irá a um nutricionista e se ao repetir os exames, eles melhorarem, dificilmente irá entrar na picada da insulina tão cedo…

— Poxa, mesmo assim posso não escapar da picada?

— É uma doença que depende quase que totalmente de sua aderência ao tratamento e recomendações dos profissionais envolvidos. Se o senhor assumir a doença, não desprezá-la, e seguir as instruções, levará uma vida muito boa, acredito bem melhor que a de seus amigos que já tomam a picada. Certeza.

— Hoje em dia temos um verdadeiro arsenal de medicamentos orais, que tornam os regimes mais amenos, ainda que a indústria alimentícia desenvolveu adoçantes tão bons que substituem muito bem os açúcares da dieta normal. O senhor nem vai sentir a diferença.

É mesmo doutor? Posso confiar?

— Pode sim, o senhor será muito bem orientado, mas terá que mudar um pouco seus hábitos, veja, o senhor me disse que não faz exercícios regulares, não e?

— Sim, nada mesmo…

— Pois então, terá que mudar, terá que caminhar, ou frequentar academia, mas a atividade física será fundamental.

— Se o senhor não encarar a doença e mudar os hábitos, a tendência será a glicemia ficar cada vez mais alta e a doença vai piorando, piorando, até o ponto em que o senhor ficará dependente de insulina….

— Não doutor, nem pensar, se depender de mim… Será o fim da picada!!!

Sobre o autor

Francisco Ribeiro de Moraes

Francisco Ribeiro de Moraes

biomédico pela Universidade de Mogi das Cruzes,1978, com especializações em Patologia Clínica, Patologia Humana e Citopatologia. Mestre em Ciências pela USP com um estudo sobre câncer de mama. Atuou como professor, a partir de 1980, nas áreas de Patologia, Fisiologia, Hematologia Clínica, Patologia Clínica e Citopatologia por diversas Universidades e Faculdades. Atualmente é professor pela FACISB de Barretos nas disciplinas básicas integradas em morfofuncional. http://lattes.cnpq.br/9046680939777775

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