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Sobre o Ato de Escrever (3)

Tipologia Textual e Gênero Discursivo

 

Olá, Amigos, depois de uma ausência um pouco maior que o desejado, retomamos nossos artigos sobre o ato de escrever. Espero que tenham treinado as sugestões dadas no artigo anterior. Você não leu? Aproveite, já que entrou no site, e leia os artigos anteriores ou outros que tenham chamado sua atenção. Há sempre algo novo esperando por nós em cada artigo, mesmo quando já sabemos tudo (?!) sobre o assunto.

Quando se fala em produção de texto, mais vulgarmente em escrever ou redigir um texto, são muitas as interrogações povoam a nossa mente:

─ Que tipo, que gênero de texto, de discurso, escrever? Afinal, não é tudo a mesma coisa? Texto é texto e pronto! Será?

Se essas são as suas inquietações, caro leitor, vamos, então, tentar lançar um pouco de luz e deixar a questão bem mais simples!

Quando se fala em tipologia textual, faz-se referência aos cinco tipos de texto existentes: dissertação, narração, descrição, injunção e exposição. Já o gênero discursivo abrange uma grande variedade de textos, em prosa e verso, como o conto, a novela, o romance, o gibi, a notícia, a palestra, o poema e outros.

O texto dissertativo, ou Dissertação, destina-se a expor e debater um tema ou assunto, com argumentos fortes e pode apresentar a opinião do autor (autores), de forma clara, e mostrar o domínio que ele tem do assunto. A dissertação é composta de três partes: A Introdução, onde se apresenta o tema (assunto); o Desenvolvimento, onde o autor mostra que conhece o assunto, e utiliza argumentos que vão de encontro ao seu ponto de vista e a Conclusão, onde deve ser retomado o tema para finalizá-lo e encerrar (concluir) o assunto.

A dissertação é o tipo de texto que deve ser elaborado para defender uma tese de Doutorado, desenvolver um trabalho de Mestrado, uma monografia de conclusão de curso ou para fazer uma redação de vestibular. Creio que é por isso que este tipo de texto, só de ser nomeado, gera tanto estremecimento e angústia em estudantes de vários níveis de ensino. O primeiro passo para esse tipo de escrita é a escolha do tema, seja pelo autor ou pelos organizadores do exame, no caso do vestibular ou provas de concurso.

Vamos pensar que você, meu leitor, vai prestar vestibular ou qualquer tipo de concurso e deverá ser submetido a uma prova de redação. Neste caso, você deverá desenvolver um tema proposto pela banca examinadora, sem conhecimento prévio e sem poder fazer nenhum tipo de consulta. Como se organizar para poder desenvolver o tema de acordo com os conhecimentos que você possui?

─ Bom, isto já foi discutido no artigo anterior, você se lembra? Não o leu ainda? Por favor volte e leia o segundo artigo desta série. Lá você encontra sugestões que o ajudarão a redigir o seu texto. Tem até um passo a passo. Leia os anteriores também! Sim, eu sei que já fiz a mesma recomendação, mas nunca é demais lembrar…(risos!)

E se você tiver liberdade de escolher o tema?

Em primeiro lugar, escolha um assunto que você domine bem ou que pretenda passar a dominar. Um assunto de que goste bastante, sobretudo se o texto a escrever for longo. Já pensou ter de escrever cem ou duzentas páginas sobre um assunto que você detesta?  Infelizmente, alguns estudantes escolhem, para tema de suas monografias de conclusão de curso ou dissertações de mestrado, assuntos que não lhes dão prazer algum, o que torna mais difícil e complicada sua elaboração. Chega de tortura! Escolha um tema de que você goste e verá que o trabalho, por mais árido que seja o assunto, se tornará leve e a escrita fluirá.

Um texto da envergadura de uma monografia exige um bom repertório vocabular, sintático e temático, por outras palavras, vocabulário variado e adequado ao assunto, conhecimento das regras gramaticais da língua em que o texto será produzido e domínio do assunto, que pode ser adquirido através da leitura de muitos outros autores que já falaram sobre ele, ou de pesquisas e testes laboratoriais, que irão reforçar e validar a sua opinião. O que dá credibilidade às afirmações que fazemos, sobre determinado tema, é a qualidade da argumentação e das provas materiais que mostram que tais afirmações não são levianas, mas fundamentadas em estudos, experiências e pesquisas nossas ou alheias. Alguns têm muita dificuldade com a argumentação de qualidade, quase sempre por falta de repertório, isto é, de conhecimento mais aprofundado sobre o tema. Portanto, na hora da fundamentação, faltam as palavras adequadas para comprovar as afirmações. Fácil a solução deste probleminha! Leitura, leitura e mais leitura! A leitura é fundamental e deve preceder a escrita, pois fornece o conhecimento necessário e as justificativas às escolhas e tomadas de decisão sobre o que fazemos e dizemos.

Agora, que você já sabe bastante sobre a dissertação, pegue a caneta e o papel e comece a praticar. Sim, eu falei caneta e não lápis, já escrevi até sobre o assunto,[1] leia no meu Blog “Como Árvores Antigas”, endereço abaixo. Treine!

Vamos, então, aos outros tipos de texto. Não me alongarei muito, pois tudo o que foi dito serve para a produção dos diversos tipos de texto. Um texto limpo, sem repetições desnecessárias, seguindo as regras da sintaxe e da semântica prescritas na gramática, coeso e coerente, será sempre um texto agradável para o leitor.

A Narração, ou texto narrativo, conta uma história, longa ou curta, envolvendo personagens, suas ações e acontecimentos relatados de forma que o leitor fique sabendo o que aconteceu (ação), com quem (personagens), onde (espaço), quando (tempo). Estes são os elementos essenciais para a criação de um texto narrativo, do miniconto ao romance.

A Descrição, ou texto descritivo, pode fazer parte de qualquer dos outros tipos de texto, por ter como finalidade, mostrar os detalhes de uma situação, fazendo com que o leitor seja capaz de imaginá-la. Recursos como a enumeração e a comparação ajudam o leitor a compreender o processo, ou a fazer associações e comparações que esclareçam o sentido do texto e permitam uma interpretação mais correta. A descrição pode ser mais ou menos subjetiva, emitindo, ou não, a opinião do escritor, de acordo com o tema e o objetivo do autor, e o grau de intimidade que pretende estabelecer com o leitor. Os cinco sentidos também podem ser usados como recurso para dar mais veracidade e realismo à descrição, fazendo com que o leitor possa “sentir” as sensações de olfato, paladar, visão, audição e tato lidas, como se as estivesse vivendo, realmente.

A descrição deve, como a dissertação, ter a seguinte estrutura: Introdução, Desenvolvimento e Conclusão.

A Exposição, ou texto expositivo, deve ser totalmente imparcial e neutro, isto é, totalmente isento das opiniões de seu autor. Por se tratar de texto de finalidade informativa e explicativa, deve restringir-se ao relato, de forma clara, sem ambiguidades, dos elementos essenciais à compreensão da informação. É o que se espera de um texto jornalístico, destinado a informar os leitores sobre determinado assunto, seja qual for a relevância da notícia.

A Injunção, é um texto destinado a instruir e guiar o leitor na execução de uma tarefa, como fazer um bolo ou montar uma aparelhagem sofisticada. Pode ser uma receita ou um manual. Pode apresentar-se de duas formas: instrucional, sugerindo o caminho a seguir para fazer determinada coisa, montar um objeto, ou a prescrição, ditando as regras ou normas de feitura ou utilização de um produto como a receita de bolo ou a bula dos remédios. A prescrição tem carácter normativo e alerta para o fato de possível alteração do resultado do produto, caso as regras não sejam seguidas.

 

Terminada esta série de artigos Sobre o Ato de Escrever (1, 2 e 3). Falaremos de outros assuntos nos próximos, mas nada impede que ainda traga outras dicas e sugestões dento deste tema. Se você, caro leitor, a quem dedico minhas palavras, quiser colaborar comigo, enviando sugestões, saiba que serão acolhidas, com carinho e farei o possível para atender cada vez melhor as suas expectativas e necessidades, nesta área. Até breve!

[1] Sobre o Ato de escrever in: https://cilebap.blogspot.com.br/2016/04/sobre-o-ato-de-escrever.html

 

Sobre o autor

Celeste Baptista

Celeste Baptista

Professora de Português e de Francês, formada em Filologia Românica pela Universidade de Lisboa (UL). Pedagoga com habilitação em Administração Escolar, Supervisão de Ensino e Orientação Educacional. Psicóloga (com Licenciatura e Bacharelado). Mestre em Linguística Letras e Artes pela Universidade Guarulhos (UnG). Especialização em Psicologia Jurídica (UniSãoPaulo). Autora do livro Chuva Quente (Poesia). Palestras sobre Literatura, Ética e temas da Psicologia. Nas horas vagas leio, escrevo, organizo Rodas de Leitura e Recitais, converso com amigos, bordo e faço crochê. Criei um blog: Como Árvores Antigas https://cilebap.blogspot.com.br/, onde escrevo sobre diversos assuntos. Podem achar-me no Facebook, como Celeste Baptista, no Linkedin como Celeste Duarte Baptista e no Instagran: https://www.instagram.com/baptistaceleste/

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