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Fisica/Matem.

O Sol não é uma bola de gás

Em uma cena da animação O Rei Leão da Disney Simba, Timon e Pumba estão deitados na relva olhando para o céu, para as estrelas. Pumba acha que as estrelas são enormes bolas de gás muito distantes. A piada pronta é que o Pumba é muito flatulento.

As pessoas ao assistirem essa cena dão risada pensando que o javali é o único que acertou na definição das estrelas. Mas uma estrela não é uma bola de gás. Tudo bem é esférico, na medida em que a gravidade torna a enorme massa esférica. Mas não é gás. É plasma!

Estamos acostumados com os três estados clássicos da matéria, sólido, líquido e gasoso. Nos sólidos as moléculas estão fortemente ligadas e bem juntas umas as outras. No estado líquido blocos de moléculas estão juntas, mas esses blocos deslizam uns sobre os outros. No estado gasoso as moléculas estão Soltas umas das outras. As moléculas podem assim viajar com bastante liberdade.

No estado plasma as moléculas não existem, os átomos estão Soltos uns dos outros. Mesmo os átomos estão em um estado desnaturado na medida em que não tem mais uma eletrosfera. Tudo isso por causa das altas temperaturas de uma estrela. Nosso Sol tem na superfície uma temperatura em torno de 6000 graus Celsius, mas em seu interior estima-se algo em torno de 16 milhões de graus Celsius.

Nessa temperatura o interior do Sol está tão quente que, como disse, as moléculas já foram desmontadas em átomos isolados e desnaturados. Assim o comportamento de uma estrela está mais para um fluido elétrico do que de um gás. Esse estado fluido, esférico e elétrico é o plasma. Isso são as estrelas.

Claro que com mais massa as pressões e temperaturas no centro de uma estrela serão maiores que 16 milhões de graus Celsius e na verdade, como não há limites, podemos falar em bilhões de graus Celsius.

Toda essa energia vem da fusão de hidrogênio, de muito hidrogênio. O Sol funde cerca de 700 milhões de toneladas de hidrogênio por segundo e mesmo assim, tem combustível para fundir hidrogênio por mais cinco bilhões de anos. E já faz isso a pelo menos quatro e meio bilhões de anos.

De toda essa energia que o Sol produz 19% é absorvido pela atmosfera, 51% pelo Solo e os outros 30% são devolvidos ao espaço, pelo próprio Solo e pela atmosfera por reflexão. Isso faz com que cada metro quadrado de superfície do planeta receba 1400 W, ou seja, 1400 J por segundo. Para se ter uma ideia de quanto é isso toda a energia enviada para Terra pelo Sol em um ano corresponde a produção de Itaipu por 20 milhões de anos.

Precisamos do Sol para sustentar nosso planeta de energia.

Os ventos e as correntes marítimas se movimentam pelas diferenças de temperatura e pressão produzidas pela energia Solar. Sem esses movimentos os organismos desse planeta não poderiam se reproduzir, se alimentar, enfim, existir. E nós consequentemente.

Poluir os oceanos e nossa atmosfera significa alterar as condições para captar e acolher bem a energia Solar.

A cada dia mais estamos compreendendo melhor isso.

A sonda SOHO que monitora há duas décadas o Sol tem nos permitido compreender muito sobre ele, mas, temos que fazer nossa parte, preservando o ambiente, o Solo, a atmosfera para manter as condições de vida para todas as espécies e de nós mesmos. A preocupação com o meio ambiente não é altruísta, é de fato bastante egoísta.

Sobre o autor

Sérgio Sato

Sérgio Sato

Professor universitário há 35 anos de Física e Matemática. Avaliador no INEP/MEC. Motociclista. Entusiasta do conhecimento.

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  • Um dos maiores misterios é certamente os astros,seja pela impossibilidade humana de pesquisar a fundo ou mesmo pelos conhecimentos velhos que temos dificuldade de abandonar para reencontrar um novo no universo sempre tem algo a se descobrir afinal,somos uma fagulha minima de tudo que há a descobrir.

    • Tem toda a razão Ibrahim. Fico feliz que tenha gostado do post. Continue participando e divulgue o nosso trabalho e dos demais colaboradores.

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