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Gatos

Os gatos nem sempre caem em pé.

“O gatinho é tão flexível que até parece dois;

as partes de trás representam outro gatinho,

com a qual as partes da frente brincam. Ele só descobre

que aquele rabo é dele quando você pisa em cima”

Henry David Thoreau, escritor americano

 

 Eu fui criada com gatos. Meu pai gostava de gatos e sempre que minha mãe “deixava”, ele arranjava um gatinho para mim. Me apaixonei pelos felinos desde o primeiro, Joaquim (Quinzinho) que eu tive.

Quinzinho, que depois veio a ser denominado como primeiro, pois teria o Quinzinho II, Quinzinho III, IV, V e VI, era um gatinho amarelo tigrado que saia todas as noites e voltava com o dia clareando. Entrava pela janela do banheiro e, sorrateiramente, subia na cama e se ajeitava nos meus pés. Um excelente caçador, trazia os ratos para casa, comia-os e deixava o rabinho no fundo do quintal (acho que ele não gostava do gosto do rabo).

Quinzinho subia no telhado com uma facilidade tremenda. Usava a janela do quarto como escada para alcançar o telhado da edícula ao lado da casa. Desci com a mesma destreza, às vezes, até direto, do telhado ao chão.

Meu irmão, mais velho, sempre falava que os gatos caem sempre em pé e o Quinzinho não era diferente. Descia do telhado, pulava e sempre chegava ao chão em pé. Mas eu não queria fazer o teste de derrubá-lo com a barriga para cima para ver se ele se virava. Apesar da insistência do meu irmão, eu tinha medo de machucar o bichinho.

Um dia, quando eu não estava em casa, meu irmão fez o teste. Segurou o gato pelas costas, de barriga para cima, e o soltou. Ele se virou rapidamente e caiu sobre as patas. Meu irmão, convencido que tinha razão, continuou a testá-lo e derrubá-lo de alturas cada vez menores até que o coitadinho bateu com as costas no chão. Não se machucou, mas se assustou, e muito. Fugiu e ficou dois dias fora de casa.

Definitivamente, os gatos não caem, sempre, em pé. Eles precisam de um espaço para se virar (mínimo de 0,5 m). Quando o gato é “solto” de pernas para cima, ele tende a aproximar as patas da frente da cabeça e afastar as de trás. Isso dará uma velocidade angular diferente na parte dianteira e na parte traseira, fazendo com que o gato vire o corpo primeiramente a parte da cabeça e depois as patas de trás. O bichano realiza esse malabarismo contando com a grande sensibilidade dos receptores (estrutura interna do ouvido responsável pelo equilíbrio). Sempre que o gato está em uma posição desconfortável, ocorre um aumento de pressão na região, funcionando como alerta, assim, essa “mensagem de alerta” é enviada para o sistema nervoso que manda vários sinais elétricos para o aparelho locomotor, em especial, os músculos. Assim os músculos realizam uma série de movimentos instintivos que fazem o corpo do animal recuperar o equilíbrio.

Mas nem sempre há altura suficiente para que o corpo se vire totalmente. Então, o gato cai, batendo outra parte do corpo no solo, e não as patas. Veja o vídeo abaixo. E nem tente fazer o teste com o seu gato, pois ele perderá a confiança em você.

 Cair de pé não é garantia de sair ileso, ao contrário, dependendo da altura, o gato pode sofrer lesões, fraturas e até mesmo morrer, por isso, muito cuidado com janelas, varandas e outros locais que o gato tenha acesso. Coloque sempre telas ou redes de proteção para garantir que seu bichano nunca sofra um acidente! Apesar de serem cuidadosos, muitas vezes eles podem dormir ou se distrair caçando um inseto, passarinho e cair sem querer. Fique atento!

Sobre o autor

MARCIA KUBIAK SATO

MARCIA KUBIAK SATO

Possui graduação em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade de Mogi das Cruzes (1981) e graduação em Licenciatura e Bacharelado em Ciências Com Habilitação Em Física pela Universidade Guarulhos (1985). Especialização em Ensino de Física para Curso Superior (1983) e em Docência No Ensino Superior (2010/2011). Atualmente é professor assistente da Universidade Guarulhos. Tem experiência na área de Física (Geral e Experimental), com ênfase em Conforto Ambiental (Térmico, Acústico e Iluminotécnica).

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